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Faixa a faixa #2: Flerte

Lancei um novo CD. Como eu só falo disso, você provavelmente já deve saber. Se ainda não ouviu, pode ouvir aqui. “Desperta”. Nome bonito. Adjetivo ou verbo imperativo. Um convite. No blog, eu convido vocês a saberem um pouco mais sobre o que representa cada música. Por isso, lancei o “Faixa a faixa”.

A segunda música do disco é “Flerte”. Ela é exatamente seu nome: a descrição de um flerte real que me ocorreu. Com pitadas de fantasia, falei de uma situação que começou no Carnaval. Se você não sabe, BH tem um dos melhores carnavais do país (sem clubismo). Os blocos ficam na rua até o entardecer, normalmente. Depois, você ruma para um boteco para continuar a folia. Foi bem aí que, “à meia luz, olhei” desconcertada.

Flerte, em pleno Carnaval, só se for assim. Fotografia: Lorena Zschaber

Nos versos de “Flerte”, mais uma vez você pode notar que minha posição no futebol é atacante (risos). Chego perto sim, uai. E incomodo no bom sentido, viu? Nada de chegar pegando a mina pelo braço, invadindo o espaço e o corpo dela. Isso é assédio. Incomodar, em “Flerte”, quer dizer deixar a pessoa ligeiramente desconfortável, sem graça, por isso o desvio do olhar. Coisas da paquera.

E aí vem aquela coisa fugaz, aquele amor de carnaval, de “só um tempo”. Aliás, os últimos versos são perguntas. Será que a moça quis passar um tempo comigo? Que cês acham? Não. Não rolou. Esse flerte nunca foi pra frente. Acontece.

Curiosidade: antes de gravar, mostrei a letra para uma amiga querida (alô, Laíza, fada sensata) que pontuou um verso que poderia ser mal interpretado. Ele carregava um resquício de machismo. Admito que realmente passou despercebido e eu o modifiquei assim que percebi a gafe. Sim. Eu, feministona, ativista cultural que promove a mulher na música, também carrego aqueles micromachismos que são tão introjetados que só sairão com o tempo. Estou trabalhando para isso.

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