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Sobre fazer parte

Há algum tempo eu escrevi aqui no blog sobre encontrar um propósito naquilo que fazemos. No meu caso, óbvio, falei em como me encontrei na música com o Coletivo Mulheres Criando.

Pois bem.

Não sei se todos vocês sabem (certamente já perceberam porque é um tema recorrente no meu Twitter), mas um dos amores da minha vida é o Galo (ou Clube Atlético Mineiro para quem se recusar a chamá-lo de Galo). Futebol pra mim é uma extensão da parte passional da minha personalidade, um esporte que gosto não só de praticar, mas também de assistir (qualquer pelada me satisfaz), de comentar e de estudar. Adoro táticas, análises de desempenho e estatísticas. Jogo desde muito nova, fui capitã de vários times e ganhei muitos títulos. Muitos mesmo.

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Mil vezes campeãs dos Jogos Jurídicos Mineiros, pela Faculdade de Direito da UFMG (AAA)

Por muito tempo, foi só diversão mesmo. Mas com a maturidade, vieram os questionamentos. Inclusive a mim. Não tenho vergonha em dizer que já chamei meus rivais de “Maria”, mesmo tendo criticado ao longo da minha existência aqueles que chamavam (e ainda chamam) adversários de “macaco”. A ficha caiu há alguns bons anos, e fico feliz em ter mudado. Sempre é tempo de aprender.

E no último ano, o aprendizado cresceu bastante. Por um motivo específico: o FAMIGERADO desfile de apresentação de uniformes feito pelo meu clube em 2016. Na ocasião, outras mulheres e eu não nos sentimos representadas, e achamos que foi um evento machista. Resultado: fizemos uma nota de repúdio. Atacadas virtualmente, nos unimos por uma necessidade social de suportar juntas os ataques e de nos fortalecermos enquanto mulheres no futebol. O maior presente que o Galo poderia ter me dado foi o início dessa amizade, dessa luta. Mais uma vez, é encontrar o propósito em tudo, é ser parte.

Lugar de mulher é no estádio e onde ela quiser! Com as migas Dri Valadares, irmãs Vulcano e Jule. Foto: Denis Dias.

Muitos amantes de futebol o tratam como um estado de exceção: nele, tudo é permitido. É permitido ser machista, LGBTQfóbico, racista. É permitido cometer crimes, porque “vamos ao estádio para extravasar”. Então. Queria dizer que não é permitido, não. E por isso estamos aqui: essas mulheres (fortes, lindas, empoderadas e amigas) e eu somos a Grupa, um grupo de atleticanas que luta contra esses preconceitos e que luta para garantir que lugar de mulher é no estádio e onde ela quiser. A propósito, a primeira torcida organizada era feminina.

Se você é atleticana e tem dificuldades de ir ao estádio porque não tem companhia, porque acredita que o ambiente é hostil para nós (e é!), nos procure. Estamos sempre por aí, no Horto ou no Mineirão, somos muitas e mais fortes quando estamos juntas! Se quiser conhecer um pouco mais de nós, nossa amiga-ídola Elen Campos escreveu um cadinho sobre nosso encontro na ESPNFC.

É só chegar. #VamuGalo.

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