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Diário de gravação #5 – Nosso (sempre) maestro Clayton Neri

Se eu existo enquanto artista nesse mundo e nessa vida, eu devo tudo a Clayton Neri.

Se eu existo enquanto artista nesse mundo e nessa vida, eu devo tudo a Clayton Neri.

Em 2007, um cantor me procurou para ser violonista e 2ª voz de um show que ele preparava. Claytin também foi chamado para ser o violonista. O repertório era bem difícil, basicamente bossa-nova. Quando encontramos os 3 pela primeira vez, Claytin me olhava com desconfiança. Com alguns ensaios, vimos que eu não o era problema. Passou o show e ele virou pra mim e disse: “ouvi dizer que você é compositora, então vamos fazer seu trabalho”. Eu assustei, óbvio. Mas não demorei muito a aceitar e começamos a trabalhar juntos.

No mesmo ano, gravamos algumas demos autorais, só voz e violão. No ano seguinte, ele já trouxe Leozin (nosso baterista e percussionista) pro trabalho. Fizemos alguns shows com o trio. Tempos depois, ele nos trouxe o Dan (nosso pianista e acordeonista), gravamos outras demos com banda completa e a coisa começou a tomar forma. Em 2012, fizemos um show com dois violões completamente autoral. Ali, eu tinha certeza que seguiria sim, pelo resto da vida, na música.

Os anos passaram e, até hoje, talvez eu tenha feito dois ou três shows sem Claytin, a quem chamo carinhosamente de papai. Ele já topou muita fria comigo e sempre com o sorriso no rosto. Em 2015, ele fez a direção e a produção musical do nosso 1º EP, além de 4 dos 5 arranjos. Eu nunca precisei dizer a ele o que gostaria que ele fizesse nas músicas, porque ele me conhecia muito bem, pessoal e artisticamente.

No novo trabalho, ele foi o primeiro a dizer que era preciso ter um produtor de fora do trabalho, porque ele já estava viciado em uma estética que não era aquela que buscávamos. Claytin sempre foi altruísta e sempre encarou “meu” trabalho como nosso, como de fato é. Infelizmente, a vida nos pregou uma peça: ele se afastará temporariamente da música e não poderá participar do disco como guitarrista.

Mas se eu cheguei até aqui, foi porque o tive como maestro. Ele é e sempre será o cara que me fez ser artista, que me deu confiança e que esteve ao meu lado. Um pai.

Que a vida seja generosa para trazê-lo de volta o quanto antes. <3

Arabesco

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