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100 anos de samba

O samba está em festa!

27 de novembro de 1916. Data em que o primeiro samba foi registrado. “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida.

Minha ligação com o ritmo vem desde muito cedo. Papai sempre gostou muito de Vinícius, Toquinho, Chico e Paulinho da Viola. Eu escutava de tabela os vinis. Eu nasci com o samba dentro de mim, graças aos nossos ancestrais negros. Cultivo o amor por todos esses artistas e muitos outros sambistas (mas confesso que quem tem batido forte aqui dentro é Teresa Cristina e Mariene de Castro).

Como se não bastasse o meu gosto, foi o samba que tornou minha faculdade um pouco mais prazerosa. Ao mesmo tempo em que aprendi a dançar gafieira, tive a sorte de ter ao meu lado uma orientadora diferente, sensível, ousada. Ela me deixou escrever uma “monografia”, para concluir meu curso de Direito na UFMG, falando de samba e de racismo. Contei (em alguns momentos, em verso) a história do samba e a história da criminalização do racismo. Fiz um paralelo entre eles, e descobri muitas coincidências.

Descobri, acima de tudo, o quanto o gênero foi um braço forte do movimento negro, um soluçar de dor. O quanto ele enfrentava o preconceito e fazia a sociedade engolir nossa raiz. É muito importante saber de que somos feitos, e nós, brasileiros, somos feitos de samba, sim, senhor. O samba que veio da “Pequena África” da Bahia e do Rio de Janeiro, de ex-escravos, do nosso passado. Um passado doído, de dores que jamais poderei sentir na minha posição de privilégio.

Que o samba, meus amigos, esteja sempre. E que possamos valorizar muito e a cada dia mais aquilo que, na minha opinião, mais retrata o Brasil musicalmente. Porque é todo nosso.

Descompasso e Quase sem vergonha são sambas que fiz e gosto muito. Mas o que arrepia até o dedo do pé é o samba que trata de si. O Canto Das Três Raças.

Saravá!

Arabesco

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